ÁUDIO: DEMI LOVATO EM ENTREVISTA PARA “REAL TALK” DE MARY J BLIGE

No final de novembro, foi ao ar a entrevista de Demi Lovato para o programa “Real Talk” da rádio Beats 1. A apresentadora é Mary J Blige e foi uma entrevista bem íntima com algumas revelações pessoais da cantora.

Confira abaixo entrevista completa e alguns trechos traduzidos:

Entrevistadora: Eu ouvi muito sobre a sua história, você é muito nova e já passou por muita coisa. E muitas pessoas por ai estão sofrendo, cometendo suicídio todos os dias, se machucando constantemente. Eu só quero que você compartilhe comigo e com eles como você superou.

Demi: Eu sofro de transtorno bipolar, eu sofri por muito tempo quando ainda não havia sido diagnosticada. Então eu acho que o problema é que as pessoas não tem o tratamento que elas necessitam, não é tão acessível. Com a minha história, eu tento alertar as pessoas sobre doenças mentais e tento falar sobre isso para que elas não sintam vergonha. Quando eu era mais nova eu sofria de depressão, meus primeiros pensamentos suicidas foram quando eu tinha 7 anos. E relembrando tudo isso hoje, eu não entendia o que era aquilo. E crescendo eu tive muitos problemas, como com drogas e álcool que começaram com 12 anos. Também distúrbios alimentares, como anorexia e bulimia. Eu também lidei com auto-mutilação, que foi o que você acabou de falar, e isso é algo muito mal entendido. As pessoas acham que quando você se corta é porque você não quer mais viver, mas não é. É apenas uma forma de enfrentar e às vezes as pessoas não entendem que, quando alguém se corta, essa pessoa está equilibrando seu exterior com o que ela sente no interior.

Entrevistadora: O que você sente por dentro que faz com que você se corte?

Demi: Eu já passei muito tempo me recuperando, então não sinto mais vontade de fazer isso. Mas o que eu sentia na época era vergonha. […] Primeiramente era um pedido de ajuda, mas chegou num ponto que eu não queria que as pessoas vissem, então comecei a me machucar em outras áreas mais escondidas. Eu queria que fosse mais falado sobre isso, para que as pessoas entendessem que não tem problema em pedir ajudar. Quando você está sofrendo, a melhor coisa que você pode fazer para você mesmo é pedir ajuda.

Entrevistadora: E você está ajudando muitas pessoas. Eu vi você no Access Hollywood e eu não pude acreditar que alguém tão nova passou por tanta coisa. Eu também passei por muita coisa, mas você é a primeira no mundo pop a expressar isso e querer ajudar os outros. Eu nunca vi ninguém do mundo do pop realmente falar dessa forma, muito honesta. […] E é assim que você ajuda as pessoas, sendo honesta.

Demi: Eu sou uma pessoa muito espiritual e eu tenho uma história meio louca. Eu não conhecia ninguém da convenção da igreja que eu fui e uma mulher me escolheu dentre todos que estavam lá. Eu tinha 12 ou 13 anos e ela disse: “um dia você será uma heroína para milhares de pessoas, e terá algo haver com arte, com alguma forma da arte”. E eu sinto que foi nesse dia que Deus me disse: “vai muito além da música”. E quando eu fui para a reabilitação, tudo foi vocalizado sem que eu tivesse que dizer para o mundo, porque foi manchete em muitos lugares. Tipo, uma menina do Disney Channel foi para a reabilitação. Então meu manager veio e disse: “temos duas opções: você quer compartilhar sua história e, possivelmente, ajudar as pessoas, ou você pode manter totalmente privado, porque não é da conta de ninguém”. E eu lembrei de quando eu era mais nova e me disseram que eu tenho uma razão maior na vida além de apenas cantar, então pensei que essa era a hora de usar minha voz.

Entrevistadora: No minuto que você aparece na televisão e uma garotinha está te assistindo, é da conta de todo mundo. Para você ser um exemplo. É uma responsabilidade, porque por mais que você diga “eu não quero ser um exemplo”, você já é.

Demi: Eu coloco na perspectiva da minha irmã mais nova, ela tem 13 anos. Naquela época ela era muito mais nova e eu pensava “eu preciso ser um exemplo para meninas como ela, porque ela me tem como exemplo”. E a última coisa que eu quero é que ela faça tudo que eu fiz ou tenha que passar por tudo que eu passei. Eu costumava dizer que não queria ser um exemplo, que queria apenas fazer música e cantar. E esse é o jeito de muitas pessoas pensarem, e não tem problema. Mas, para mim, eu passei a entender a responsabilidade e agora eu aceito isso.

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